segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Centro de Educação sedia Encontro Paraibano de Estudantes de História














Foi realizado no último final de semana, no Centro de Educação da Universidade Estadual da Paraíba, o 1º Encontro Paraibano de Estudantes de História, realizado pelo Centro Acadêmico de História Eduardo Galeano, em parceria com diversos núcleos da UEPB. O evento contou com a participação de mais de 200 alunos de todo o Estado.
Este ano, os organizadores trouxeram o tema “Parahyba: memórias de vida, trajetórias de luta”, abordado na conferência inaugural pela professora Juciene Ricarte Apolinário, que, entre outras coisas, discorreu sobre a importância da preservação da memória e lembrou citações de relevantes autores a respeito do tema. Nos três dias de atividades, os estudantes tiveram a oportunidade de participar de debates, mini-cursos, apresentações de pesquisas, conferências, mesas-redondas, simpósios temáticos e discussões acerca de formação de identidades, memórias de militantes sociais e pessoas da sociedade. O professor Alberto Coura, diretor do CEDUC, agradeceu a ampla participação dos encontristas no evento e se disse satisfeito com a organização. O estudante Thomas Bruno, um dos organizadores do evento, afirmou que uma das pretensões deste primeiro encontro foi “extrapolar os limites da academia e não se restringir às aulas, como, por exemplo, homenagear em vida as pessoas que têm contribuído com o curso de História, com a intelectualidade paraibana e, sobretudo, com movimentos sociais de Campina Grande”.

Lançamento de livros Durante o encontro, dois livros de professoras da Universidade Estadual foram lançados. O primeiro foi “Histórias Verídicas de um Mentiroso”, de autoria de Juciene Ricarte Apolinário. O segundo, “Mulher e Violência: a história do corpo negado”, da professora Lígia Pereira dos Santos, é resultado da tese de doutorado em que ela divulga resultados de pesquisas feitas com mulheres do presídio campinense e com personagens da Delegacia da Mulher. Segundo ela, o livro versa sobre a questão da violência contra a mulher e a trajetória de vida dolorida delas, como infância conturbada, casos de incesto, assédios sexuais, entre outros. “Quando o trem chegou em Campina Grande, os bordéis chegaram junto e, com eles, a comercialização dos corpos e todos os problemas decorrentes. Busco, no livro, passar uma imagem da Campina menina, da Campina mulher”, informou.

Homenagens especiais Representante do Centro Acadêmico de História, o estudante Bruno Gaudêncio fez uma homenagem a nove personalidades de Campina Grande, entregando-lhes o Prêmio “João Carga D´Água”, por atividades sociais, políticas e culturais desenvolvidas. Entre elas, foram homenageados a professora Maria José de Oliveira, que contribuiu intelectualmente com diversas gerações e se destaca como legado da UEPB desde 1989; o estudante de História Jair Silva Ferreira, representante de bairros, agitador cultural e um dos pioneiros do Movimento Negro em Campina Grande; o ouvidor geral da UEPB, José Benjamin Filho, militante políticos, duas vezes reitor da UEPB e responsável pelo NEAB-Í; o professor Josemir Camilo Neto, escritor, membro da Academia Campinense de Letras e militante de causas negras na cidade; a professora Martha Lúcia de Araújo Ribeiro, socióloga e uma das fundadoras do PT em Campina Grande. Os homenageados João Basílio da Silva, primeiro coordenador da União Campinense das Equipes Sociais, e José Otávio Arruda Melo, professor de Historia e escritor, não puderam comparecer.

José Peba
O último homenageado, José Peba Pereira dos Santos, despertou a atenção dos presentes por sua trajetória de luta. Com 91 anos (dos quais passou 10 como preso político, desde o Golpe do presidente Médici, em 1964), acumula em sua história a profissão de sapateiro, a função de dirigente sindical, participação no Partido Comunista Brasileiro e anos de perseguição, prisão e tortura. Pai da professora da UEPB Lígia Pereira dos Santos, foi eleito, em 1980, vereador em Campina Grande, vencendo muitos obstáculos. Sua história foi relatada pela professora catarinense Bernadete Wrublevski Aued, no livro “O Sapateiro Militante”, editado pela EDUEP. “Quanto mais os patrões queriam silenciá-los, mais ele falava pela causa operária, o que foi uma lição de vida para muitos”, lembrou Lígia Santos, testemunha desta história. “Meu pai teve uma vida muito sofrida na época da ditadura militar. A vivência no presídio marcou bastante nossa vida e acendeu nosso amor pela liberdade, pelo direito e pela democracia. Papai nos deixou de legado a paixão pela liberdade, plantando em nossa família a luta pelos direitos humanos”, acrescentou. José Peba agradeceu a homenagem. “Não sabia que ainda havia neste país pessoas que lembrassem da classe operária brasileira, do trabalhador e, em especial, deste sapateiro, que tanto tempo foi perseguido e nunca se curvou diante da perseguição dos poderosos”, finalizou.

Matéria exibida no portal da UEPB (http://www.uepb.edu.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1887)