Foi realizado no último final de semana, no Centro de Educação da Universidade Estadual da Paraíba, o 1º Encontro Paraibano de Estudantes de História, realizado pelo Centro Acadêmico de História Eduardo Galeano, em parceria com diversos núcleos da UEPB. O evento contou com a participação de mais de 200 alunos de todo o Estado. Este ano, os organizadores trouxeram o tema “Parahyba: memórias de vida, trajetórias de luta”, abordado na conferência inaugural pela professora Juciene Ricarte Apolinário, que, entre outras coisas, discorreu sobre a importância da preservação da memória e lembrou citações de relevantes autores a respeito do tema. Nos três dias de atividades, os estudantes tiveram a oportunidade de participar de debates, mini-cursos, apresentações de pesquisas, conferências, mesas-redondas, simpósios temáticos e discussões acerca de formação de identidades, memórias de militantes sociais e pessoas da sociedade. O professor Alberto Coura, diretor do CEDUC, agradeceu a ampla participação dos encontristas no evento e se disse satisfeito com a organização. O estudante Thomas Bruno, um dos organizadores do evento, afirmou que uma das pretensões deste primeiro encontro foi “extrapolar os limites da academia e não se restringir às aulas, como, por exemplo, homenagear em vida as pessoas que têm contribuído com o curso de História, com a intelectualidade paraibana e, sobretudo, com movimentos sociais de Campina Grande”.
Lançamento de livros Durante o encontro, dois livros de professoras da Universidade Estadual foram lançados. O primeiro foi “Histórias Verídicas de um Mentiroso”, de autoria de Juciene Ricarte Apolinário. O segundo, “Mulher e Violência: a história do corpo negado”, da professora Lígia Pereira dos Santos, é resultado da tese de doutorado em que ela divulga resultados de pesquisas feitas com mulheres do presídio campinense e com personagens da Delegacia da Mulher. Segundo ela, o livro versa sobre a questão da violência contra a mulher e a trajetória de vida dolorida delas, como infância conturbada, casos de incesto, assédios sexuais, entre outros. “Quando o trem chegou em Campina Grande, os bordéis chegaram junto e, com eles, a comercialização dos corpos e todos os problemas decorrentes. Busco, no livro, passar uma imagem da Campina menina, da Campina mulher”, informou.
Homenagens especiais Representante do Centro Acadêmico de História, o estudante Bruno Gaudêncio fez uma homenagem a nove personalidades de Campina Grande, entregando-lhes o Prêmio “João Carga D´Água”, por atividades sociais, políticas e culturais desenvolvidas. Entre elas, foram homenageados a professora Maria José de Oliveira, que contribuiu intelectualmente com diversas gerações e se destaca como legado da UEPB desde 1989; o estudante de História Jair Silva Ferreira, representante de bairros, agitador cultural e um dos pioneiros do Movimento Negro em Campina Grande; o ouvidor geral da UEPB, José Benjamin Filho, militante políticos, duas vezes reitor da UEPB e responsável pelo NEAB-Í; o professor Josemir Camilo Neto, escritor, membro da Academia Campinense de Letras e militante de causas negras na cidade; a professora Martha Lúcia de Araújo Ribeiro, socióloga e uma das fundadoras do PT em Campina Grande. Os homenageados João Basílio da Silva, primeiro coordenador da União Campinense das Equipes Sociais, e José Otávio Arruda Melo, professor de Historia e escritor, não puderam comparecer.
José Peba
Matéria exibida no portal da UEPB (http://www.uepb.edu.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1887)
